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20/05/2009-17:09:36
Solidariedade
 

Débora Nascimento: Obsessão para se recuperar

O sonho de ganhar um lugar ao sol, fazendo o que mais gosta, acabou sendo interrompido de forma abrupta para Débora Nascimento, bodyboarder de 29 anos, que sofreu um acidente grave no último dia 21, na Praia de Ponta Negra, quando se preparava para disputar a segunda etapa do Circuito Mundial de Bodyboader, em Salvador/BA. Tragada pela onda, ela bateu violentamente a cabeça na areia sofrendo um forte trauma na coluna cervical. Momentaneamente, o desejo de conquistar títulos e bons patrocínios, foi trocado pela obsessão de se recuperar de forma plena.

O caminho é longo, difícil e vai requerer acima de tudo muita força de vontade, tanto por parte da atleta quanto de toda sua família, uma vez que no período de recuperação a bordyboarder vai necessitar de cuidados especiais.

Internada no Hospital do Coração, onde se recupera da cirurgia realizada no último dia 25, Débora conta com atenção total da mãe Dalva Nascimento, que se reveza com outras duas filhas e algumas amigas no atendimento a paciente. Apesar de se recuperar bem, a atleta faz apenas movimentos limitados com os membros.

Abecedista de coração — paixão que herdou do pai falecido no ano passado —, a desportista recebeu a visita do presidente do ABC, Judas Tadeu, do técnico Heriberto da Cunha e do goleiro Raniere, que desejaram uma pronta recuperação e se aliaram a campanha em prol da atleta, que irá necessitar de muito apoio para superar esse momento difícil.

Eu praticamente estou sem trabalhar, até tento mas não consigo só de pensar que a minha filha está nessa situação. Ando muito preocupada e só vou sair do lado dela quando ela estiver recuperada, disse dona Dalva, proprietária de um ateliê, na Vila de Ponta Negra, onde com as encomendas que recebe completa a pensão de um salário-minimo — que recebe devido a morte do marido — e cuida do sustento de cinco pessoas.

Nessa fase mais complicada, a mãe de Débora, que passou a conviver mais no hospital que na própria casa, vai tocando as necessidades com o auxilio financeiro dos parentes, mas ela sabe que devido aos problemas da filha terá de dispor de mais recursos para comprar remédios, uma cadeira de rodas, um colchão especial e uma cama mais alta para poder tratar com mais facilidade da bodyboader. Além de adaptar sua residência. Enfrentando a situação como os grandes atletas, quando peguntada qual o seu maior sonho, Débora responde: Quero me recuperar e voltar a fazer as coisas que fazia antes.



Entrevista

Nilson Pinheiro - Neurocirurgião

Que tipo de lesão a Débora Azevedo sofreu?
Uma fratura luxação da coluna cervical, ou seja, ela teve um desalinhamento dos osso da coluna cervical que provocaram uma lesão medular.



Qual risco um paciente corre nesta condição?
Se o paciente sofrer uma lesão medular completa, no nível em que ocorreu a da Débora, entre a quarta e a quinta vértebra cervical, ele terá uma paralisação completa dos braços e das pernas e também acometimento dos movimentos respiratórios.



Qual foi o estado que a Débora Nascimento chegou ao hospital?
Felizmente a Débora sofreu uma lesão medular que é considerada incompleta. Quando ela chegou ao Clóvis Sarinho possuía a preservação da sensibilidade nos membros e algum movimento, ineficaz e muito discreto, na perna direita, bem débil. A paciente era incapaz de levantar a perna, porém, exista tônus muscular. Nos demais membros não existia absolutamente nada.



A situação pós-operatória dela, pode ser encarada como um bom estado?
A Débora é uma atleta, em função disso, a reabilitação dela é bastante privilegiada. Como ela foi atendida precocemente e felizmente agente conseguiu reduzir e tratar essa fratura, o elemento agressor: a espícula de osso que machucava a medula dela, foi precocemente removida. A Débora está apresentando uma recuperação bastante satisfatória hoje (quinta-feira) com aproximadamente cinco dias de pós-operatório. A paciente já mexe com bastante eficiência todo lado direito e o lado esquerdo já começa a dar sinais de movimento , como era o lado direito no início do caso. Eu acredito realmente que a Débora vai apresentar uma recuperação muito favorável.



Esse tipo de paciente geralmente necessita de cuidados especiais, nós temos em Natal um centro para tratar desse tipo de situação?
O centros de referência para tratamento do lesado medular, são centros de alta-complexidade e infelizmente em Natal não contamos com nenhuma instituição especializada neste tipo de tratamento. São Centros que têm clínica geral, neurocirurgiões, ortopedistas, fisiatras, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos — uma vez que os pacientes lesados de coluna se tornam muito vulneráveis do ponto de vista psicológico— e terapeutas educacionais. Ou seja, são instituições realmente complexas que, infelizmente, agente não conta no Rio Grande do Norte.



Se o paciente não contar com esse tipo de acompanhamento, pode desenvolver alguma sequela?
Essa pergunta eu diria que é meia radical. É claro que um centro especializado ofereceria maiores chances de uma reabilitação plena, o que não quer dizer que se ela não fizer, a paciente não vai ter. Mas certamente um centro de referencia, com muito mais recursos, abreviaria o tempo de recuperação. Isso é inquestionável.



Quanto tempo será necessário para Débora voltar a praticar esporte. Ela voltará?
Eu disse para ela que vender a prancha seria um crime. Mas é difícil prever uma situação já que existe um risco muito grande do médico se enganar. Mas eu imagino que dentro de seis meses a 1 ano, a Débora terá alcançado o máximo da sua recuperação. Nesse momento ainda é muito cedo para dizer o que iremos conseguir em termos de reabilitação. Porém, eu acredito que vamos progredir muito, estou bastante otimista.



Que não seja para o esporte, mas para levar a vida corriqueira, a paciente ainda vai demorar muito?
Para ter uma atividade independente, não é? Isso vai depender da evolução que vamos observar nas próximas semanas, existe questões como controle da bexiga e do intestino, existe ainda a questão de recuperação da ventilação, uma vez que o paciente lesado medular consegue expelir menos a secreção pulmonar. Ou seja, passada essa fase de maior risco, que gira em torno de duas semanas, eu poderei dar um parecer mais preciso. A minha impressão é que dentro de um período de três ou quatro meses, a Débora vai ter a sua independência.



Com relação a internação hospitalar, quanto tempo ainda será necessário?
Internação hospitalar sob os cuidados neurocirúrgicos, eu imagino que mais três ou quatro dias, não deve passar disso. Mas se a evolução da paciente não apresentar nenhuma surpresa.

A paciente pode ser acompanhada em casa, sem maiores problemas?
Sim, é claro que ela vai necessitar de uma equipe multidisciplinar. A Débora vai precisar de um fisioterapeuta, um clínico geral para estar investigando a questão da infecção urinária. Vai precisar de um acompanhamento periódico de um neurocirurgião, ou seja, é uma paciente que tem tudo para ser encaminhada a um centro de referência em tratamento a um lesado medular.



Em casa, ela vai necessitar de algum equipamento?
Num primeiro momento a cadeira de rodas poderia ajudar muito, talvez uma cama mais alta, que possa propiciar menos trabalho para aqueles voluntários que vão assistir a paciente. O paciente com lesão medular requer alguns aparatos especiais.



A Débora levou sorte no atendimento de primeiros socorros, uma vez que um paciente com lesão medular requer cuidados extras para evitar sequelas?
A sorte maior da Débora foi ter contado com a ajuda de um banhista que a removeu da água. A condição motora que ela tinha, no momento em que sofreu o trauma, inviabilizava que ela conseguisse sair da água de forma espontânea. Ela iria morrer afogada. Posteriormente o Samu prestou socorro de maneira objetiva, rápida e adequada, removendo a paciente para o hospital Clóvis Sarinho, onde ela foi prontamente atendida, sem ter sido criado nenhum déficit adicional. É muito importante ressaltar esse aspecto. Ou seja, ela tinha uma lesão de coluna que é considerada instável e que a manipulação inadequada pode acrescentar morbidade a lesão. Ela não foi conduzida de forma inadequada, assim como foi prontamente atendida pelo setor de neurocirurgia, que fez uma manobra conhecida como tração cervical, que reduziu a lesão e, posteriormente, foi operada em tempo hábil corrigindo o defeito da coluna e viabilizando uma pronta recuperação.

Por este motivo estamos realizando esse evento para arrecadar meios para que a atleta possa recuperar-se desse terrível trauma, ela necessita muito de ajuda financeira por isso contamos com a ajuda de todos.


E os atletas de todo Brasil que nao irão participar do evento pedimos que doem o valor da inscrição, R$30,00, e envie seu nome para o email atletaalinemelo@yahoo.com.br, pois iremos fazer um DVD do evento com todos os fatos e queremos incluir uma lista com nome de todos que fizeram parte desse maravilhoso evento em prol do bem.



Agradecemos aos empresários que doaram a premiação para que podessemos realizar este evento, eu Aline Mello e marcus Lima agradecemos a todos pela colaboração e solidariedade, que Deus abençoe a todos...


Conta para doações
Número: 00041694-3
Agência: 0539-013
CEF (Via Direta)
Dalva Nascimento Câmara




Enviada por Aline Mello, fonte http://tribunadonorte.com.br/noticias/108157.html

 

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