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01/09/2010-09:49:23
Paraíba
 

Viver sem o Bar do Surfista?

Por Alexandre Palitot

Imagem: O Bar do Surfista oferece todas as sextas-feiras um nutritivo café-da-manhã para a comunidade, em especial para a terceira idade, que participa todos os dias pela manhã de aulas de ginástica ministradas no Bar do Surfista. Foto: OndasPB.com



Talvez possa-se viver, pois vida continua. Mas quem lucra com isso? Com certeza pessoas que não freqüentem aquele ambiente e sejam desenformadas, problemáticas ou preconceituosas. A satisfação de destruir, acabar, demolir, não vai sanar a sede “desses” que após o Bar do Surfista, logo encontrarão outro e outro...

Mas demolir, destruir, acabar com a estrutura física do bar do Surfista, será apagar uma página da rica história do surf paraibano. História de glória, vitórias e superação.

Antes do bairro de Intermares existir, ali já funcionava o Bar do Surfista, onde os proprietários, D.Maria e Seu Zé, de nomes e vida simples, acharam nos freqüentadores do local o nome adequado para seu empreendimento, que também podemos chamar de “ganha pão”, que por muitas vezes nem o “de cada dia” lhes provia.

Sim, posso dizer que testemunhamos, nós surfistas, as dificuldades daquele casal, que até filho recém nascido perdeu em inverno rigoroso naquele, até então, inóspito local. Mas por que relembrar fato trágico nesse momento. É que tão lastimável tragédia, nos trás a possibilidade de perdermos o nosso patrimônio cultural, turístico e social que hoje, mais de trinta anos depois pode sumir do mapa pela alegação infundada de que está agredindo o meio ambiente.

Vamos analisar:

Se o bar serve de apoio logístico para o trabalho de preservação da área, feita pelo seu proprietário, Valdi Tartaruga junto com a ONG Guajiru, Então quem protege não agride.

Se o problema é fossa, que tem manutenção e é esgotada sempre que necessário, então todo o bairro de Intermares tem que ser interditado, pois segundo especialistas no assunto, o eco-sistema ali é o mesmo e o bairro sem saneamento, também contribui negativamente.

Outro fator alegado é quanto ao impedimento visual da praia. Falta de argumento clara, pois em vários kilômetros de praia, não vai ser o bar que estará impedindo a visualização do mar. Ou serão os coqueiros plantados o problema?

Diz o MPF que a o fato da ONG Guajiru usar o estabelecimento como sede e ponto de apoio para seu trabalho voluntário não justifica a permanência do bar. Ora, onde estamos? A quem está defendendo? Pois, se um trabalho de extrema relevância para a vida marinha, em prol de um animal que está ameaçado de extinção, além de atender, com palestras em loco, milhares de alunos das redes pública e privada de ensino, levando conhecimento e informação, não tem importância, em que tempo estamos? Quais são os valores que estão em voga? Com certeza não é nessa sociedade que gostaremos de educar nosso filhos!

Argumentos ultrapassados estão sendo usados para o pedido de remoção do espaço multicultural, turístico e esportivo do bar do surfista. A ação é de um tempo em que o bar não tinha UTILIDADE PÚBLICA, hoje funcionam no local a sede da Federação Paraibana de Surf, a sede da ONG Guajiru, a sede do projeto Escola do Surfista Tia Lenira, o Projeto em parceria com a Prefeitura municipal de Cabedelo, onde todos os dias pela manhã, aulas de ginástica são ministradas para todas as pessoas, em especial as da terceira idade. Que pasmem! Tem colocado o sorriso e a dignidade de viver nos rostos e mentes de algumas pessoas que tinham esquecido de viver, basta conversar um tempinho com senhoras durante as aulas, além ceder o espaço do salão para reuniões da comunidade, festas de aniversário e cultos religiosos.

Por dia, vários ônibus de inúmeras companhias de turismos aportam naquele local, sedentos de informações e conhecimento sobre o nosso maior atrativo turístico do momento, as tartarugas urbanas, que o poder público através de suas agências de turismo ainda não enxergaram.

Então senhores e senhoras, sabemos que lei é pra ser respeitada e cumprida, mas a aspereza e o rigor da letra foi criado para que, em sociedade possamos nos harmonizar, conviver e viver cada dia melhor. Tirar o bar do Surfista dali, não vai melhorar em nada a vida daqueles que ali convivem. O rigor da lei, nesse momento pode estar além dos anseios da sociedade, se não de toda, porém daqueles que freqüentam, que amam e que vivem no local.

O Bar do Surfista é um patrimônio Sócio, Cultural, esportivo e turístico do nosso estado, não tem que ser demolido e sim melhor aproveitado.

Alexandre Palitot
Presidente PBSurf
 

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