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11/11/2003-09:04:42
Super trials
 

Depois de ser protagonista de um grande show contra ninguém menos que o hexacampeão mundial e líder desta temporada, Kelly Slater, na etapa brasileira do WCT, o ubatubense Odirlei Coutinho compete mais animado do que nunca para conquistar o título paulista profissional.

A terceira e decisiva etapa do FreeSurf Protrials começa nesta sexta-feira (14/11) na praia de Maresias, em São Sebastião.

Em jogo, o tradicional título estadual, com 12 competidores com chances de levantar a taça, e faturar mil pontos no ranking do Abrasp Super Trials, a divisão de acesso do Circuito Brasileiro.

Aos 24 anos, Odirlei é o líder do ranking paulista, com uma boa vantagem de 290 pontos sobre o seu conterrâneo, Isaías Silva.

“Todo título é importante. Esse, então, tem um sabor especial, porque sempre busquei. Este ano não deu para disputar o Circuito Mundial WQS, então investi no Brasil e estou colhendo os frutos”, afirma o surfista, que já foi campeão sul-americano Pro Júnior em 1999, mesmo ano quando foi o nono melhor no mundial da categoria, no Hawaii, e vice-campeão do Super Surf em 2001.

No FreeSurf Protrials, Odirlei tem um quinto lugar, na etapa de abertura, na praia de Itamambuca, em Ubatuba, e o vice na praia do Tombo, Guarujá, somando 1.470 pontos.

“Vou para ganhar, para o tudo ou nada. Vou arriscar tudo. O negócio é esse. Não dá para ficar pensando no que preciso. Não fico encanando”, revela o surfista, que ganhou mais motivação depois do grande desempenho contra Kelly Slater na terceira fase do WCT em Santa Catarina.

A disputa empolgou a todos. A vitória de Slater contra Odirlei, que competiu como convidado, foi de menos de um ponto – 13,83 a 13,0. O norte-americano saiu na frente, com 6,83. Odirlei garantiu a melhor nota da bateria, 8,5, e quando precisava de 5,33 para virar, foi marcado rigorosamente pelo hexacampeão mundial para que não conseguisse a nota.

“Foi animal! Um grande momento para mim. Competi em condições de igualdade com um surfista que sempre foi o meu ídolo, que me inspirou muito. Sempre quis competir contra um cara forte para avaliar o meu surf e deu para ver que tenho surf para vencer”, disse.

“Fiquei calmo, porque não tinha nada a perder e dei uma dura nele. Ganhei muita confiança”, contou.

Surfista profissional desde 1998, Odirlei vem de família humilde e no início não teve apoio dos pais para surfar. “Foi difícil, porque os meus pais achavam que surf era coisa de vagabundo, Mas na época, entrei numa escolinha e o meu professor, o Sérgio Bocão, conversou com eles, disse que eu surfava bem e poderia ter o surf como profissão. Hoje eles me dão grande incentivo”, destaca.

No início do profissionalismo, ele morou durante seis meses na Austrália e quando voltou acabou estressado devido as viagens. “Não tinha costume de viajar muito e isso mexeu com o meu psicológico. Fui parar num médico e tive de controlar a minha ansiedade”, lembrou Odirlei, que já recompensou o apoio da família, comprando um barco para o seu pai, com o prêmio que ganhou como campeão Pro Júnior.

“Era um sonho dele e pude realizar com o surf, minha profissão. Não ficaria sossegado enquanto não desse uma vida melhor a eles”, ressalta.

A etapa decisiva do FreeSurf começa na sexta-feira às 8h. As expectativas são as melhores possíveis. Nas duas etapas o número de inscritos foi muito alto. Em Itamambuca 176 competidores brigaram pela vitória, conquistada pelo catarinense Guga Arruda. No Tombo, o recorde aumentou para 192 atletas, com o baiano Flávio Costa levando o primeiro lugar.

Para comemorar o sucesso do evento, a FreeSurf realiza a festa oficial de encerramento do circuito no sábado à noite na casa noturna Sirena. “Queremos festejar essa entrada em grande estilo da FreeSurf no cenário paulista”, afirma Rogério Diéco Zandonai, diretor de marketing da FreeSurf, marca gaúcha, que este ano patrocinou oito etapas do Circuito Abrasp Super Trials em quatro Estados.
 

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