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13/11/2003-14:27:11
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A política de imigração adotada pelos EUA depois dos atentados terroristas de 2001 tem se mostrado cada vez mais rígida e autoritária.

Dessa vez, as vítimas foram os surfistas brasileiros Raoni Monteiro e Yuri Sodré, barrados pela imigração em Los Angeles ao tentarem embarcar para o Hawaii para a disputa das etapas finais do circuito mundial.

Questionados sobre o que iriam fazer por lá, foram informados que seus vistos, B2, de turista, não valiam para competições, onde há remuneração em dinheiro, e que teriam que ter visto de trabalho, o B1, para entrar no país.

Depois, foram levados para a famosa "salinha" da imigração, onde foram revistados dos pés à cabeça, inclusive sem roupas, e interrogados sobre todos os detalhes de suas vidas.

"Isso é um abuso de autoridade e um constrangimento ilegal da dignidade humana, conforme previsto no artigo 1o, inciso 3o da Constituição Federal", indigna-se Vitor Alves, empresário de Raoni. "Estamos estudando as possibilidades para entrar com uma ação contra os EUA por danos morais e materiais aos atletas", diz Vitor, que também é advogado.

"Foi a maior humilhação da minha vida, nunca passei por nada parecido antes, nem no Brasil", contou Raoni por telefone, já em casa. "Fomos tratados como bandidos e discriminados pelos policiais por sermos brasileiros e surfistas. Ficamos cinco horas fechados em uma sala, sem poder ir ao banheiro, e depois levados para uma cela, de onde saímos algemados para outra sala, onde fomos novamente revistados e interrogados", explica o atleta, que ainda contou ter sido alvo de piadas e gozações por parte dos federais.

Na verdade, tudo não passou de um engano por parte das autoridades norte-americanas. Quando se deram conta que realmente tratava-se de surfistas profissionais, eles até tentaram amenizar a situação, mas mesmo assim mandaram os dois de volta ao Brasil, já que os vistos e passaportes de ambos já tinham sido cancelados.

"O Raoni já viajou o mundo, inclusive para os EUA este ano, com esse mesmo visto. Faltou bom senso para avaliar o caso", diz Alves.

"Felizmente ele já está garantido no WCT em 2004 e não dependia de nenhum resultado no WQS, mas vai perder a chance de melhorar sua posição no ranking e de treinar nas ondas havaianas, onde foi um dos destaques no ano passado", completa Vitor.

Além disso, o atleta estava sendo esperado na casa da Rip Curl no North Shore, onde participaria de sessões de foto e filmagens com os colegas de equipe.

"Não penso em tentar voltar ao Hawaii nesta temporada, pois seria muito desgastante. Prefiro ficar aqui e começar a agilizar meu visto e o quiver de pranchas para o início do circuito na Austrália, além do visto para os EUA, já que terei que competir lá no ano que vem. Já chorei muito de raiva e quero esquecer esse episódio", disse Raoni, que depois de tudo isso ainda encarou mais 23 horas de avião para voltar ao Brasil.

Em julho deste ano o paranaense Jihad Kohdr também teve problemas com a imigração dos EUA devido à sua descendência muçulmana, quando chegava para competir na tradicional etapa do WQS em Huntongton Beach,
 

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