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15/08/2003-02:30:21
Fundo Artificial
 

O Surf não para de crescer no Brasil e uma coisa é certa. O Crowd vai aumentar e muito nos próximos anos!!!

Há alguns anos que vem se falando em viabilizar a construção de fundos artificiais que gerariam ondas perfeitas em nossa costa.

É de conhecimento de quase todos que a costa brasileira, principalmente nas regiões sul e sudeste, recebe boas e constantes ondulações.

São swells que trazem ondas de 2 a 15 pés, em qualquer época do ano , mas na maioria das vezes, essas grandes ondulações encontram os fundos de areia de nossas praias bem desalinhados, ocasionando em condições irregulares para o surf e um desperdício de grandes swells.

Para que as condições do surf estejam perfeitas é necessário a conciliação de uma séries de fatores.

Boa e constante ondulação, vento terral e o fundo das praias bem alinhado. Se algum desses itens estiver fora dessas exigências o surf de alta qualidade já era!!!

O ser humano apesar de toda tecnologia que dispõem, ainda não controla as ondulações geradas em alto mar e nem a direção e intensidade dos ventos, mas já tem tecnologia suficiente para criar fundos artificiais de alta performance.

Essa tecnologia já existe, e além de melhorar e muito as condições para o surf, a construção de fundos artificiais também criaria novos recifes e logicamente uma melhora significativa na pesca, com a volta de várias espécies de peixes que praticamente sumiram de nossa costa.

O litoral Brasileiro vem sendo explorado pela pesca artesanal e comercial, com bastante intensidade nas três últimas décadas. Para vôces terem uma idéia, no período de 1970 a 1998 a produção de pesca dos municípios da baixada Santista em São Paulo variou de 650 a 131.000 toneladas (1984), esse período foi seguido de um declínio vertiginoso, caindo para 30.500 toneladas em 1999.

A construção de recifes artificiais não é nenhuma novidade, e a história nos dá exemplos como o do Japão que o utilizava desde o século 18, nas costas das ilhas Awaji(Kobe) – Os pescadores japoneses faziam grandes estruturas de bambu e galhos de madeira que eram afundados com sacos de areia, a profundidade de 40 mts. Eram eficazes, até que se desmanchassem.

Nos EUA técnicas similares foram utilizadas em 1830, na Carolina do Sul – sacos de areia e madeira eram levados até os locais desejados e afundados com pedras, esses locais apresentaram-se ótimos pesqueiros até que se decompunham.

Enquanto que no Japão(1930) os esforços para construção de recifes artificiais eram limitados, nos EUA começava uma verdadeira corrida para a montagem de recifes artificiais por vários estados: Alabama, Hawai, Califórnia, Texas e outros.

Os surfistas começaram a perceber que simples alterações em fundos próximos a praia, podiam trazer uma melhora significativa na formação das ondas.

Vários fundos artificiais, com ótimos resultados foram criados na Austrália, Japão, Itália e Estados Unidos.

A maior parte deles foi feita para resgatar points de surf quer haviam simplesmente sumido, devido a ação do homem. El Segundo na Califórnia é uma dos maiores exemplos do que um fundo artificial pode criar.

Aqui no Brasil você pode não se dar conta, mas já temos alguns " fundos artificiais" criados nos últimos anos.

Alguns exemplos são o Píer na Barra da Tijuca que foi construído a pouco tempo e já formou boas valas, principalmente no lado esquerdo da Plataforma.

Atalaia em Itajaí também tem boas e perfeitas ondas devido a construção de um quebra-mar.

Quem se lembra do Píer que existia na praia de Ipanema nos finais dos anos 70. Nunca o surf carioca teve uma evolução tão grande quanto naqueles poucos anos em que o Píer existiu.

Esses são apenas alguns exemplos.

Tem gente já sonhando com um Paúba parecido com Pipeline, ondas perfeitas na praia de Boissucanga ambas em São Sebastião-SP, Copacabana quebrando várias vezes por ano de gala, Massaguassu em Garaguatatuba dando condição para o surf constantemente, Porta do Sol e Garganta do Diabo em São Vicente, quebrando gringo entre tantos outros picos.

Atualmente isso pode se tornar realidade e não só para a melhora das condições do surf, mas também para a pesca, ecologia e turismo.

As mais importantes qualificações dos recifes artificiais, são a sua viabilidade econômica, a contribuição para a melhora das condições do surf, a manutenção da atividade pesqueira artesanal e integridade ecológica dos ecossistemas, garantindo a permanência e sobrevivência das espécies




Confira abaixo alguns dados referente ao crescimento da pesca e do turismo em locais em que foram construídos recifes artificiais.

Filipinas – 4 semanas – 900kg de peixe produzidos

Malásia – 1 ano – 41 espécies diferentes e 800kg de cada

Itália – após 4 anos – 200/250 toneladas de mexilhões por ano, produção consideravelmente maior do que sobre substratos naturais.

EUA – após 10 anos – aumento do turismo (pesca esportiva e mergulho), de 35 vezes. Em cidades como Fort Lauderdale, o crescimento da cidade como centro turístico náutico, deve-se a construção de recifes artificiais por todo seu litoral. A Carolina do sul houve um aumento de 26% no numero de barcos guardados nos clubes náuticos

Os Objetivos da construção de recifes artificiais são:

Acabar com a pesca de arrasto

Viabilizar o re-povoamento do substrato

Ativar um setor da economia que esta falido ``PESCA´´

Aumentar o fluxo de turismo náutico e de esportes com o surf e mergulho

Através de eventos anuais como: Salões náuticos / Competições de surf, pesca e mergulho em nível nacional e internacional e criar a tradição náutica na população.

Preparar a cidade para o turismo nacional e internacional com ótimas condições para o surf, mergulho e pesca

Uma solução alternativa para aliviar a pressão sobre as espécies de peixes tradicionalmente exploradas e a melhora considerável das condições para o surf, seria a implantação de recifes e atratores artificiais, que devem provocar a concentração de espécies marinhas e ótimas ondas ,criando uma nova modalidade de pesca, e conseqüentemente a melhora significativa da qualidade das condições para o surf.


Fonte: Surf-Reporte
 

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